OS EDUCADORES E OS USOS DOS CONCEITOS:

ARTICULAÇÕES ENTRE EDUCAÇÃO, DIREITO, POLÍTICA E LINGUAGEM

Palavras-chave: educação política, memória, teoria dos sistemas, linguagem, invenção de direitos

Resumo

O presente artigo vislumbra a hipótese de que educadores se portam como inventores de futuro. Isso se dá porque sistematizam saberes para poderem professá-los e, desta forma, constroem conexões entre passado, presente e futuro de maneira criativa, inventiva. Para explicar essa proposta, o artigo busca compreender como os educadores fazem usos dos conceitos como interpretes/observadores a explicá-los e aplicá-los às conjunturas temporais a que pertencem. Suas ações são efetivamente criativas ao darem sentido ao passado, em uma postura muito próxima do Hayden White visualizou a partir de sua teoria da meta-história. E esse fenômeno é efeito da inexorável parcialidade cognitiva de qualquer interprete. O artigo analisa, então, as condições de possibilidade de uso dos conceitos, a desnudar que qualquer conceito, a ser recriado em uma nova dimensão temporal, sofrerá interferência de subjetividades adjungidas pelos seus interpretes, sempre interessados, sempre politicamente ativos. Ao contrário do que postula o senso comum, os conceitos não vêm do passado, mas são recriados, ganham autônoma conjuntural específica do momento em que são reinseridos na vida política prática. Se a prática educacional assenta subjetividades, crenças, expectativas de mundo, é sustentável que seus efeitos estejam muito próximos dos efeitos derivados dos direitos, pois esses também assentam expectativas sociais. Se a produção de subjetividades depende da linguagem, cabem aos educadores, como observadores/interpretes dos valores sociais, selecionar, interpretar e fazer uso retórico de memórias semânticas, isto é, de conceitos. Isto porque para a teoria dos sistemas, segundo Raffaele de Giorgi, a memória é considerada uma função e não algo que se poderia recorrer e que estaria aguardada em algum lugar a ser acessada. O artigo se valeu de uma metodologia crítica especulativa a partir de revisão bibliográfica.

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Biografia do Autor

Lucas Alvarenga Gontijo, Pontifícia Universidade Católica de Minas Gerais

Graduado em Direito pela Pontifícia Universidade Católica de Minas Gerais. Mestre e Doutor em Filosofia do Direito pela Universidade Federal de Minas Gerais - UFMG. Professor da Graduação e do Programa de Pós-Graduação em Direito stricto sensu da PUC Minas. Pesquisador de Filosofia Social do Direito, dedica-se à teoria política, com ênfase em biopolítica, teoria do reconhecimento e democracia. Investigador da filosofia da linguagem, trabalha com teoria da argumentação, hermenêutica, pragmatismo e epistemologia das ciências sociais. Membro fundador e vice-presidente da Associação Brasileira de Filosofia do Direito e Sociologia do Direito.

 

REFERÊNCIAS

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DE GIORGI, Raffaele. Limites do direito, (in:) MAGALHÃES, José Luiz Quadros de, GONTIJO, Lucas de Alvarenga, BICALHO, Mariana Ferreira. Justiça de transição, memória e democracia, Belo Horizonte: D ́Plácido:2022(referenciada no artigo como 2022 b).

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Publicado
19-10-2023
Como Citar
Gontijo, L. A. (2023). OS EDUCADORES E OS USOS DOS CONCEITOS:. @rquivo Brasileiro De Educação, 11(20), 137 - 149. https://doi.org/10.5752/P.2318-7344.2023v11n20p137 - 149