A EPISTEMOLOGIA DA CIÊNCIA DA RELIGIÃO elementos para uma visão deflacionária
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Resumo
O objetivo deste modesto ensaio é apresentar alguns desafios para a Ciência da Religião no Brasil, no plano epistemológico, assim como eu os entendo a partir de minha experiência pessoal. Ele leva em conta tanto discussões recentes na área da epistemologia como na da filosofia das ciências naturais, procurando deflacionar o debate sobre a epistemologia. Apresentamos algumas definições e depois aspectos do pensamento de Michael Pye, que defende pluralidade de métodos e objetos, sem que a Ciência da Religião se limite a uma constelação inarticulada de disciplinas mais básicas. Alertamos também para o fato de que a epistemologia de nossa disciplina tem mais em comum com aquela de outras ciências afins do que usualmente admitimos. Destacamos a seguir um aspecto na teoria da ciência, a “epistemologia da virtude”, que contempla valores epistêmicos, cognitivos e morais. Apresentamos duas correntes dela: confiabilista (foco no conhecimento) e responsabilista (foco no sujeito). Por fim lançamos uma advertência sobre a confusão entre valores epistêmicos, morais e políticas, quando a militância sobrepuja a preocupação em produzir conhecimento empiricamente validado.
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