ERÊ, O ARQUÉTIPO DA CRIANÇA DIVINA NA UMBANDA uma leitura a partir dos complexos culturais
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Resumo
As pessoas filiadas ao campo religioso umbandista agregam em seu panteão espíritos de antepassados marginalizados que retornam aos terreiros para fazer caridade e orientar seus adeptos em suas aflições cotidianas. Dentre esses espíritos se destaca o da Criança, também chamado de Erê. Essa entidade encarna a memória das violências que as crianças sofreram ao longo da história até os dias de hoje. A partir desse contexto, e da teoria dos Complexos Culturais, o objetivo é analisar de que forma estes complexos foram organizados na Umbanda, e se viabilizam a expressão da imagem arquetípica da Criança Divina, o que possibilita refazer, de forma simbólica, a trajetória da infância violentada. O método utilizado foi orientado pelos pressupostos da Psicologia Analítica de Carl Gustav Jung, e de outros autores que representam a Teoria dos Complexos Culturais, como Samuel Kimbles, Thomas Singer, Catherine Kaplinsk, Murray Stein. Os resultados desse ensaio apontam para a possibilidade da entidade da Criança atuar como transmissor de uma fonte de energia psíquica caracterizada pela futuridade e pela invencibilidade heroica e divina, tendo esse símbolo religioso a potencialidade de tornar resilientes os adeptos diante das opressões recebidas e diante de suas questões espirituais, contribuindo para com a sua saúde mental.
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