• LIBERDADE, DEMOCRACIA E NEGACIONISMOS
    v. 13 n. 26 (2022)

    O incômodo representado pela democracia pode ser percebido no aumento cada vez mais expressivo pelas lutas em torno das questões de gênero, pelo avanço das pautas feministas e o desvelamento de um protagonismo das mulheres encoberto por uma história contada a partir de um passado de exclusão, pela reação enérgica de parcelas significativas da população contra ataques racistas etc., mesmo que as leis muitas vezes tenham dificuldade de traduzir na prática essas reações ao ódio que aparecem em várias situações cotidianas. Se não estamos no melhor dos mundos possíveis, o lugar do incômodo existe e ainda funciona como uma clareira aberta no meio de tanta ignorância, tanto desprezo pela busca da verdade e tanta naturalização da violência.

  • RACIONALIDADE E HUMANISMO
    v. 13 n. 25 (2022)

    Na Filosofia, a passagem de uma maneira de refletir a outra está carregada de incertezas e inexatidões. Na categoria dos conceitos, as mudanças deveriam nos impelir a um constante reexame dos delineamentos e modos de perceber a realidade. Em uma grande profusão de situações conflitivas no mundo, hoje se travam lutas entre as tradições, do mesmo modo que lutas entre as tradições e as tendências transformadoras e propositivas das mudanças. Menosprezar ou desconsiderar integralmente as heranças formuladas pela tradição firma-se como um comportamento audacioso que conduz a enormes erros e a embates inigualáveis. Por outro lado, pode-se também desprezar as tendências transformadoras. Confrontar esses pontos de vista disjuntivos por meio de reflexões nos conduz a aproveitar o melhor, tanto das heranças deixadas pelo pensamento universal, quanto das tendências transformadoras para os nossos tempos.

  • FILOSOFIA, EXISTÊNCIA E LIBERDADE
    v. 12 n. 24 (2021)

    Dentre as inflexões do espírito humano, destacam-se duas ocupações de grande valor que se apropriam da pauta humana de todos os tempos: existência e liberdade. A despeito de qualquer obviedade, é preciso perguntar: existência e liberdade são compatíveis? São concomitantes? Liberdade sugere escolha, coisa que fazemos todos os dias da nossa vida, mas escolhemos o nosso existir? Ou seremos livres independentemente das nossas escolhas? Considere-se que o ato humano de refletir parte de um ponto de vista (e parece não poder ser diferente); mas se ele advém de alguma perspectiva, de alguma anterioridade, esse ato será ainda livre? Antes do ato não haverá o existir da sua possibilidade? Mas é razoável falar de uma existência possível, de uma existência antes da própria existência?

  • Em nosso presente momento, em que uma grande pandemia assola o mundo, é preciso que estejamos atentos às contribuições que a Filosofia pode dar à área da saúde, assim como as diversas áreas da saúde podem dar à Filosofia. É fato bastante conhecido que a Filosofia desde o seu início se debruçou sobre diversos temas, inclusive o tema da saúde, a partir da própria compreensão da natureza. O ser humano como ser-lançado-no-mundo (para usarmos a expressão de Heidegger) sempre se colocou diante da natureza com uma atitude ambivalente. Por um lado uma atitude de temor, espanto, e por outro lado com uma atitude de admiração e dependência. Esse caráter ambivalente da relação do homem com o mundo vai desenvolver-se em reflexões que ora destacarão o primeiro sentimento, ora destacarão o segundo sentimento. FILOSOFIA E SAÚDE
    v. 12 n. 23 (2021)

    Em nosso presente momento, em que uma grande pandemia assola o mundo, é preciso que estejamos atentos às contribuições que a Filosofia pode dar à área da saúde, assim como as diversas áreas da saúde podem dar à Filosofia. É fato bastante conhecido que a Filosofia desde o seu início se debruçou sobre diversos temas, inclusive o tema da saúde, a partir da própria compreensão da natureza. O ser humano como ser-lançado-no-mundo (para usarmos a expressão de Heidegger) sempre se colocou diante da natureza com uma atitude ambivalente. Por um lado uma atitude de temor, espanto, e por outro lado com uma atitude de admiração e dependência. Esse caráter ambivalente da relação do homem com o mundo vai desenvolver-se em reflexões que ora destacarão o primeiro sentimento, ora destacarão o segundo sentimento.

  • FILOSOFIA MEDIEVAL: CONHECIMENTO, VONTADE E ARTE
    v. 11 n. 22 (2020)

    A Sapere Aude dedica seu dossiê à Idade Média, nos longos e intensos séculos de construção de saberes, de arquiteturas conceituais e de medos diante do muito que ainda se desconhecia. De fato, a Idade Média não pode ser associada apenas à chamada peste negra e demais obscuridades — ao contrário, a Idade Média, como qualquer outro tempo da História feita pelas criaturas humanas, combina luz e sombra e, nem sempre, com o devido equilíbrio entre os matizes. Carregam-se as tintas, o que resulta em males de todas as cores. Os medievais foram iniciadores de diversas e riquíssimas discussões. Ousaram saber, ainda que em seu horizonte de compreensão não tenham podido contar com tecnologias e meios digitais para divulgação de suas pesquisas. Mas, como escreveu Horácio em sua Epistuale I “dimidium facti qui coepit habet: sapere aude” (quem começou já fez a metade: ousa saber). Os medievais começaram!

  • O necropoder decide quem tem o direito de viver, porque tem valor de mercado, e quem se pode matar ou deixar morrer porque a vida não tem um valor em si mesma, mas só pode ser valorada dentro de um certo jogo de relações em que alguns não podem jogar porque são meros joguetes, simples instrumentos de interesses que muitas vezes nem conseguem compreender. ÉTICA, ECONOMIA E NECROPOLÍTICA
    v. 11 n. 21 (2020)

    SAPERE AUDE - ISSN: 2177-6342 - PUC Minas - Belo Horizonte (MG)

    Uma parte significativa da história do Ocidente foi edificada sobre cadáveres. Mas como a vida humana associada está alicerçada em crenças e valores, as sociedades sempre encontraram alguma forma de justificativa moral para a barbárie, e isso nos coloca um problema interessante que é a necessidade de pensar que nem toda a violência que experimentamos na história é feita por seres humanos despidos de qualquer senso moral ou movidos por distúrbios de ordem mental. [...] O necropoder decide quem tem o direito de viver, porque tem valor de mercado, e quem se pode matar ou deixar morrer porque a vida não tem um valor em si mesma, mas só pode ser valorada dentro de um certo jogo de relações em que alguns não podem jogar porque são meros joguetes, simples instrumentos de interesses que muitas vezes nem conseguem compreender

  • LINGUAGENS, INTOLERÂNCIA E DIALOGIA
    v. 10 n. 20 (2019)

    Nosso mundo hodierno se deixa exprimir e entender em múltiplas linguagens. A articulação do sentido que se dá na compreensão do mundo e na sua interpretação é linguagem. Hoje já se fala até em linguagens de máquinas! E há aquelas que nada comunicam, mas causam estrago. Há linguagens fake, há outras de tribos contemporâneas. Há muitas linguagens: fechadas, dogmáticas, outras relativistas e fragmentadas. Estaríamos próximos ao mito bíblico-teológico da torre de babel? Há a hipótese de que, diante das múltiplas linguagens, é-se tentado a anular a diferença e a legitimidade do outro. Por isso, o presente dossiê abre discussões para profícuo debate entre Linguagens, intolerância e dialogia.

  • DOSSIÊ: PAIXÕES NA FILOSOFIA ANTIGA
    v. 10 n. 19 (2019)

    Sapere aude – v. 10, n. 19, p. 7-9, jan./jun. 2019 – ISSN: 2177-6342

  • DOSSIÊ: MARX 200 ANOS
    v. 9 n. 18 (2018)
    Em maio de 2018 comemorou-se os 200 anos de nascimento de Karl Marx (1818-1883) e a revista Sapere Aude abre aos estudiosos de sua obra a oportunidade de apresentar a riqueza de seu pensamento e sublinhar sua relevância para a compreensão da sociedade contemporânea. Ao contrário de alguns juízos que anunciam Marx como um autor ultrapassado, interessa-nos pensar a atualidade de suas teses, nesse momento em que a materialidade das questões econômicas se mostra, de uma forma quase despudorada, como o cerne das contradições que impactam a vida social e política, atingindo a democracia e a noção de justiça social. Nada mais urgente que conhecer, discutir e repensar o lugar de suas contribuições à análise da sociabilidade, de forma a nos reapropriarmos da arma da crítica oferecida por Marx, no sentido de colocar novamente no horizonte a questão da emancipação humana.
  • DOSSIÊ: DEMOCRACIA EM CRISE
    v. 9 n. 17 (2018)
    V. 9, N. 17 (2018) - DOSSIÊ: DEMOCRACIA EM CRISE
  • DOSSIÊ: MICHEL FOUCAULT
    v. 7 n. 13 (2016)

    O lançamento e sucesso editorial de As Palavras e as Coisas em 1966 marcou a emergência no cenário filosófico do século XX de um de seus principais personagens: Michel Foucault. Inquieto, transgressivo e questionador, Foucault conquistará a partir deste momento um amplo público pelo mundo afora com suas análises desconcertantes, seu estilo envolvente e sua intensa militância. Tendo como mote a análise das condições teóricas de surgimento das ciências humanas, As Palavras e as Coisas são muito mais do que isso. A obra representa uma das mais bem-sucedidas cartografias do pensamento e da própria experiência da modernidade. Sua famosa conclusão – a morte do homem – tornou-se centro de um debate contínuo do qual talvez ainda sejamos tributários. O presente dossiê da Revista Sapere Aude é dedicado a essa obra decisiva de Michel Foucault.