“Acumulação primitiva” e avanço do capital na Amazônia: uma perspectiva marxista sobre a devastação ambiental causada pela "Febre do Ouro" às margens da rodovia interoceânica em Madre De Dios

Carlos Roberto Staine Prado Filho

Resumo


O artigo visa contribuir com uma perspectiva marxista sobre o recente processo de aceleração da devastação ambiental causada pela mineração informal/ilegal de ouro no departamento de Madre de Dios (MdD), na Amazônia do Peru. Esta aceleração está relacionada cronologicamente a dois fatores: I) a construção da rodovia interoceânica, a primeira a cruzar esta área e a partir de onde foram abertas novas áreas de mineração; II) o ciclo de valorização recorde do ouro no período pós-crise de 2008. Com a finalidade de problematizar este processo como a transformação do espaço de floresta amazônica em um novo espaço de acumulação de capital, após uma introdução para melhor contextualizar a “febre do ouro” em MdD, o artigo propõe uma releitura em torno do conceito de “acumulação primitiva”, a partir do pensamento de Marx e outros atores marxistas. Entre estes, destaca-se a perspectiva geográfica de David Harvey em seu conceito “acumulação por espoliação”, sugerido para atualizar o debate em torno dos processos contemporâneos de acumulação de capital. A conclusão do trabalho está em demonstrar a validade de abordagens que identificam o caráter contínuo do processo de “acumulação primitiva” e apontar seu valor dialético para analisar as relações internacionais de contextos como a “febre do ouro” em MdD.

Palavras-chave


Acumulação Primitiva; Acumulação por Espoliação; Rodovia Interoceânica; Febre do Ouro; Madre de Dios.

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DOI: https://doi.org/10.5752/P.2317-773X.2017v5n3p52-72

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