Com um pé na região e outro no mundo: O dualismo crescente da política externa brasileira

  • Andrés Malamud Universidade de Lisboa
  • Júlio C. Rodriguez Universidade de Sergipe
Palavras-chave: Estado bifronte, Política externa brasileira, Potências regionais, Liderança regional

Resumo

Este artigo mostra como o Brasil se tornou um caso atípico dentro de uma categoria atípica: é um estado bifronte, mas não está puxado entre duas regiões mas entre uma região (para mais, difusa) e o sistema global. Apesar de sua preeminência regional, o Brasil tem sido incapaz de traduzir os seus recursos estruturais e instrumentais em liderança eficaz. Seus potenciais seguidores não têm apoiado suas principais metas de política externa, e alguns de seus vizinhos questionam até mesmo a sua supremacia material. Ao jogar a carta regional para alcançar fins globais, o Brasil acabou em uma situação inesperada: enquanto sua liderança regional cresceu no discurso, tem sido enfraquecida na prática. Mesmo assim, ele conseguiu crescente importância global e hoje é amplamente reconhecido como um global player. Hoje, o país é grande demais para deixar que a região amarre suas mãos, mas ainda pequeno para saltar para o mundo sem se preocupar com o potencial de dano de sua vizinhança. Assim, instrumentalizar a sua bifrontalidade continuará a ser um elemento essencial da sua política externa dual, dividido como está entre as restrições impostas pela geografia e os desafios provenientes da suas aspirações globais.

Biografia do Autor

Andrés Malamud, Universidade de Lisboa
Pesquisador Adjunto, Instituto de Ciências Sociais, Universidade de Lisboa.
Júlio C. Rodriguez, Universidade de Sergipe
Professor Assistente de RelaçõesInternacionais, Universidade de Sergipe.
Como Citar
Malamud, A., & Rodriguez, J. C. (1). Com um pé na região e outro no mundo: O dualismo crescente da política externa brasileira. Estudos Internacionais: Revista De Relações Internacionais, 1(2), 167-184. Recuperado de http://periodicos.pucminas.br/index.php/estudosinternacionais/article/view/6312
Seção
Dossiê: Potências Emergentes