A presença oculta do marxismo na Teoria de Relações Internacionais: Rosa Luxemburgo e o primeiro “grande debate”

Miguel Borba de Sá

Resumo


O artigo trata do primeiro ‘Grande Debate’ da teoria de Relações Internacionais (RI) a partir de uma perspectiva inovadora: revisitando-o a partir das formulações teóricas e políticas de autores marxistas proeminentes, em especial, os escritos de Rosa Luxemburgo sobre pacifismo e seu envolvimento com movimentos anti-guerra de seu tempo. O objetivo é superar as abordagens que pretenderam denunciar o primeiro ‘Grande Debate’ como mera invenção retroativa ou puro “mito” (WILSON, 1988). Demonstra-se que o fracasso de tais tentativas pode ser revertido se lançarmos mão de uma abordagem “contextualista” (QUIRK & VIGNESWARAN, 2004) que justaponha o debate acadêmico ao debate histórico, político, realmente existente nas sociedades européias e norte-americanas no período que envolve as duas guerras mundiais do século XX. Conclui-se que inserção do ponto de vista marxista-luxemburguista sobre a problemática da guerra e da paz, produzida no mesmo momento histórico a que se refere o primeiro ‘Grande Debate’ de RI, tem o potencial de enfraquecer o poder controlador de agendas que tal discurso tradicionalmente exerceu sobre a disciplina.


Palavras-chave


Teoria de Relações Internacionais; Primeiro Grande Debate; Marxismo; Rosa Luxemburgo

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DOI: https://doi.org/10.5752/P.2317-773X.2017v5n3p5-21

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