Efeitos patológicos do fundamentalismo: o religar como resposta à convivência saudável

##plugins.themes.bootstrap3.article.main##

Resumo

A proliferação de seitas tornou o Brasil e a América Latina em espaços para uma renovação dos fundamentos religiosos. Embora a laicidade da democracia moderna, grande parte da sociedade conserva um acentuado simbolismo religioso. Com o avanço do neopentecostalismo, os discursos de partidos e grupos populistas conseguem sensibilizar setores importantes da sociedade. Esses movimentos fundamentalistas reaproximam a religião da política e da economia. Não poucas vezes, esse fundamentalismo estrafalário assume um caráter beligerante. De um lado, o texto realiza uma crítica especulativo-filosófica em torno aos efeitos patológicos desse discurso e, por outro, pretende ressaltar a proposta de uma con-vivência saudável. Não se trata de conceituar, mas de salientar como os efeitos de um fundamentalismo estrafalário gera anomias sociais. Por isso, além do diagnóstico, o estudo aponta como alternativa uma filosofia da vida. Ela é uma exigência incondicional para superar as anomias sociais. Nesse sentido, a noção de democracia representativa oferece os contornos saudáveis para re-ligar a con-vivência em um mundo pluralista.

##plugins.themes.bootstrap3.article.details##

Como Citar
PIZZI, J. Efeitos patológicos do fundamentalismo: o religar como resposta à convivência saudável. HORIZONTE - Revista de Estudos de Teologia e Ciências da Religião, v. 18, n. 57, p. 1082, 31 dez. 2020.
Seção
Artigos/Articles: Dossiê/Dossier
Biografia do Autor

Jovino Pizzi

Graduação em Filosofia e em Comunicação Social - Jornalismo; mestre em Filosofia (PUCRGS, 1992) e doutor em Ética y Democracia pela UJI (Espanha, 2002), onde foi pesquisador visitante por duas vezes (2005-2006 e 2007). Pós-doutorado na Universidade Federal de Santa Catarina (2015). É professor da Universidade Federal de Pelotas, PPGs em Filosofia e em Educação. Sua pesquisa centra-se especialmente na área de Filosofia Contemporânea, com ênfase na área da Ética, ética do discurso e em éticas aplicadas, com publicações na área (no Brasil, Europa e na América Latina). Autor de livros como: Ética do discurso. A racionalidade ético-comunicativa (1994); O conteúdo moral do agir comunicativo (2005); Ética e éticas aplicadas. A reconfiguração do âmbito moral (2006); O mundo da vida. Husserl e a crítica de Habermas (Unijuí, 2006); Ética e responsabilidade social (segunda edição, em 2009); El mundo de la vida. Husserl y Habermas (Chile, 2005; segunda edição em 2016). Participante do GT Ética e Cidadania, onde organizou com Cecília Pires o livro Desafios éticos e políticos da cidadania (2006). É coordenador da coletânea Diálogo Crítico Educativo, reunindo mais de 120 autores de diferentes países: volume I (2008); II (2009); III (2011); IV (2013); V e VI (2015); VII e VIII (2017). Além disso, traduziu diversos artigos e os livros, como: Ética empresarial. Do diálogo à confiança (2008); e Ética Intercultural (Re) Leituras do pensamento latino-americano (2010) e O Sagrado e o Humano. Para uma hermenêutica dos símbolos religiosos (2018) Além disso, tem diversos artigos publicados, em diferentes revistas do país, América Latina e Europa. Atualmente, faz parte do Capes Print de internacionalização ? Edital 41/2017, Programa Institucional de Internacionalização ?, projeto aprovado e com ações para consolidar ações e atividades relativas ao Programa. Professor visitante na Universidade Jaume I (março a julho de 2020

Referências

AMOR PAN, J. R. Mejora humana, posthumanismo, liberalismo y capitalismo: ¿Los cuatro jinetes del apocalipsis? In: GARCÍA-MARZÁ, D. & Outros. Homenaje a Adela Cortina. Ética y filosofía política. Madrid: Tecnos, 2018, p. 273-283.
APARISI, J. C. S. El humor ético: capacidad para el desarrollo humano y virtud cordial. In: GARCÍA-MARZÁ, D. & Outros. Homenaje a Adela Cortina. Ética y filosofía política. Madrid: Tecnos, 2018, p. 407-419.
CORTINA, A. Aporofobia, el rechazo al pobre. Barcelona; Buenos Aires; México: Paidós, 2017.
CORTINA, A. ¿Para qué sirve realmente la ética? Barcelona: Paidós, 2013.
FROMM, E. El corazón del hombre. 7 ed., México: Fondo de Cultura Económica, 1980.
FROMM, E. La patología de la normalidad. Barcelona; Buenos Aires: Paidós, 1994.
GARCÍA-MARZÁ, D. & Outros. Introducción. In: GARCÍA-MARZÁ, D. & Outros. Homenaje a Adela Cortina. Ética y filosofía política. Madrid: Tecnos, 2018, p. 11-14.
HABERMAS, J. Mundo de la vida, política y religión. Madrid: Trotta, 2015.
LEFORT, C. Democracy and Political Theory. Cambridge: Polity Press, 1988.
LODOVICO, G. S. Aristotele. In: BRUNI, L.; ZAMAGNI, S. (Edd.) Dizionario di economia civile. Roma: Città Nuova, 2009, p. 42-49.
MACPHERSON, Crawford B. A teoria política do individualismo possessivo de Hobbes até Locke. Rio de Janeiro: Paz e Terra, 1979.
MICHELINI, D. J. Argumentos y creencia. ¿Es posible traducir los contenidos de fe al lenguaje secular? In: GARCÍA-MARZÁ, D. & Outros. Homenaje a Adela Cortina. Ética y filosofía política. Madrid: Tecnos, 2018, p. 165-176.
PIZZI, J. Democracias bajo efectos clikcbait. La gramática pronominal como respuesta a la virtualidad tecnocrática. In: Veritas. Revista de Filosofía y Teología. Santiago de Chile, N. 39, abril de 2018, p. 33-53.
SCHWAB, Hans-Rüdiger. La conectividad del todo. Lou Andreas-Salomé y las implicaciones éticas del concepto Mitleben en el pensamiento moderno. In: GARCÍA-MARZÁ, D. & Outros. Homenaje a Adela Cortina. Ética y filosofía política. Madrid: Tecnos, 2018, p. 243-257.
WOLF, E. O pluralismo eclesial. Da contradição à afirmação do evangelho. In: Revista Horizonte. Belo Horizonte, V. 17, n. 54, set/dez., 2019, p. 1554-1570.
YTURBE, C. Laicidad. In: PEREDA, C. (Ed.). Diccionario de Justicia. México: Siglo XXI Editores, 2016, p. 299-303.