Religião, patologia e feminilidade: uma análise da saudade em O homem (1887), de Aluísio Azevedo
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Resumo
Resumo
Os estudos literários têm comumente recorrido a ferramentas auxiliares ligadas às ciências sociais, mormente à filosofia e à sociologia. Tal postura tem dado origem a análises interessantes a respeito do discurso literário como produto ideológico configurador de verdades coerentes e totalizantes no que concerne a grupos sociais diversos, o que envolve, freqüentemente, a prática de estigmatização desses na tessitura da engenharia social. Nesse contexto, o presente artigo pretende trabalhar com a representação das beatas valendo-se da análise da personagem Magdá na obra naturalista O homem, de Aluísio Azevedo. Reconhecendo que a estigmatização dessa personagem religiosa tem sua gênese no esquadrinhamento do corpo, recorremos à "fala" saudosista de Magdá no intuito de analisar dialeticamente a relação entre religião, patologia e feminilidade na obra naturalista. Conclui-se que, apesar de a representação da personagem beata em O homem obedecer à lógica do positivismo científico então vigente, em que a saudade religiosa é compreendida como um dos principais elementos sintomáticos configuradores da psique doentia da mulher na obra em questão, essa pode se converter dentro de um movimento dialético em um elemento de referência na ressignificação das experiências místicas da personagem Magdá.
Palavras-chave: Saudade religiosa; Literatura naturalista; Beata; Gênero e religião.
Abstract
Literary studies have frequently depended on auxiliary tools related to social sciences, mainly philosophy and sociology. Such position has produced relevant analyses regarding literary discourse as an ideological product that represents coherent and absolute truths concerning diverse social groups, which often involves the practice of stigmatization of the those groups in the structure of social engineering. In that context, this article focuses on the representation of devout women, based on the analysis of the character Magdá in Aluísio Azevedo's naturalist novel O homem. Recognizing that the source of Magdá's stigmatization is the scrutinizing of her body, we investigate Magdá's longing discourse in order to analyze dialectically the relation between religion, pathology and femininity in the text. We conclude that, although the representation of the devout woman in Azevedo's novel obeys the logic of 19 th-century scientific positivism, according to which religious longing is one of the main symptomatic elements of woman's mental illness, it can be converted, in a dialectic movement, into a reference element in the re-signification of the Magdá's mystical experiences.
Key words: Religious nostalgia; Naturalist literature; Devout women; Gender and religion.
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