Civilização do mangue: biodiversidade e populações tradicionais (Mangrove’s Civilization: Biodiversity and traditional populations) - DOI: 10.5752/P.2175-5841.2013v11n30p509

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Deis Elucy Siqueira

Resumo

O texto parte do reconhecimento da importância das populações tradicionais na conservação da biodiversidade, tanto em termos históricos quanto em projetos socioambientais baseados no paradigma da sustentabilidade. Foca a civilização do mangue do Salgado Paraense e, em particular, as comunidades da Reserva Extrativista de Caeté-Taperaçu (município de Bragança/PA). Destaca aspectos de sua territorialidade em articulação com sua religiosidade, na qual são tratados os santos e, sobretudo, os encantes (xamanismo caboclo). A partir desta religiosidade (crenças, superstições, lendas), a discussão se centraliza em torno de dificuldades para a efetivação de diálogos e de interlocuções necessários à construção de projetos de conservação da biodiversidade envolvendo aquelas populações, os quais incluem a participação de mediadores (letrados, ambientalistas, ecologistas, governamentais e não governamentais) e implicam a geração de uma nova ordem social. Ancora-se, ainda, em entrevistas semidirigidas que vêm sendo realizadas há três anos na região e no acompanhamento da implementação da Reserva Extrativista criada em 2005 no município (reuniões do Conselho Deliberativo, recadastramento de usuários).

Palavras-chave: Conservação da biodiversidade. Mangue. Religião popular. Territorialidade/população tradicional.

 

Abstract

This article highlights the importance of traditional biodiversity conservation, both in historical terms and in environmental projects, based on the paradigm of sustainability. It focuses on mangrove of "Salgado Pará" and, in particular, on the communities of the Extractive Reserve Caeté-Taperaçu (municipality of Bragança / PA). It also highlights some aspects of its territoriality in connection with its religiosity, in which are treated the saints, especially the Encantes (caboclo shamanism). From this religiosity (beliefs, superstitions, legends) the discussion is organized around the difficulties for building dialogues and interlocutions required to build projects for biodiversity conservation surrounding these populations. These dialogues include the participation of mediators (scholars, environmentalists, ecologists, government and non-government) and the construction of a new social order. This text is anchored in semi-structured interviews that have been conducted for three years and in monitoring the implementation of the Extractive Reserve, created in 2005.

Keywords: Biodiversity conservation. Mangrove. Popular religion. Territoriality/traditional population.

Article Details

Como Citar
SIQUEIRA, D. E. Civilização do mangue: biodiversidade e populações tradicionais (Mangrove’s Civilization: Biodiversity and traditional populations) - DOI: 10.5752/P.2175-5841.2013v11n30p509. HORIZONTE - Revista de Estudos de Teologia e Ciências da Religião, v. 11, n. 30, p. 509-544, 27 jun. 2013.
Seção
Artigos/Articles: Dossiê/Dossier
Biografia do Autor

Deis Elucy Siqueira, UNB e UFPA

Graduada em Antropologia e Sociologia pela Universidade de Brasília/UnB (1975); mestrado em Sociologia/UnB (1978); doutorado em Sociologia - Universidad Nacional Autónoma de México/UNAM (1984) e pós-doc em Sociologia - Universidad de Barcelona/UB (2001). Colaboradora do Departamento de Sociologia da UnB, onde se aposentou. Atualmente é bolsista da CAPES no Programa Professor Visitante Nacional Sênior PVNS, das IFES (Edital 20/2009), junto ao PPBA-Programa de PG em Biologia Ambiental da UFPA, onde coordena uma Linha de Pesquisa em torno dos Estudos Socioambientais Costeiros. É Pesquisadora do CNPq desde 1985. Foi chefe do Centro Nacional de Populações Tradicionais/CNPT do IBAMA entre agosto de 2.006 e abril de 2.007, tendo, neste período, representado-o na construção da PNPCT (Política Nacional de de Povos e Comunidades Tradicionais). Coordenou a realização das três etapas do Inventário Nacional de Referências Culturais - IPHAN / Vale do Amanhecer (agosto de 2.007 a julho de 2010). Tem experiência nas áreas de Sociologia e de Antropologia (docência, pesquisa, orientação, consultoria, assessoria, educação à distância), com ênfase em Religião, Turismo, Rural/Populações Tradicionais e Relações Socias de Gênero, atuando, na atualidade, principalmente em torno da questão socioambiental. É autora/organizadora de várias publicações em torno destas temáticas. Participou de várias Comissões Julgadoras/de Avaliação/premiação, tais como: SOBER de melhor dissertação em Sociologia/2.006; 3o. e 5o. Prêmios Construindo igualdade de gênero - SPM e CNPq/2.008 e 2010. Coordenou (novembro de 2008 a março de 2010) a realização do PDTIS - Plano de Desenvolvimento do Turismo Integrado Sustentado do DF. É membro do Conselho Científico do SAPIS - Seminário de Áreas Protegidas e Integração Social e do Conselho Diretivo da Asociación de Cientistas Sociales de la Religión del Mercosur/ACSRM e do Conselho Editorial de várias revistas.