Navios, autoidentidade e o ethos militar:
conceituando segurança ontológica naval
DOI:
https://doi.org/10.5752/P.2317-773X.2025v13n1p164-182Palavras-chave:
Segurança Ontológica Naval, Autoidentidade, Ethos Militar, Práticas, Marinha do BrasilResumo
O artigo investiga o senso de autoidentidade em marinhas por meio do conceito de segurança ontológica naval. Usando a Marinha do Brasil como objeto de análise e a Ordenação Geral do Serviço da Armada (OGSA), o conjunto normativo de condutas e regulamentos herdados da Marinha Portuguesa durante o período de colônia do Brasil e até hoje em vigor, com devidas atualizações, como estudo de caso, o artigo aborda como a segurança ontológica naval é constituída e quais elementos estão envolvidos. Com base em Bourdieu e Giddens, o artigo argumenta que as marinhas (re)produzem práticas internacionais na medida em que incorporam traços sociais domésticos, construindo seu senso de identidade ao amalgamar coerentemente narrativas biográficas, orgulho e confiança. Este arcabouço teórico exploratório contribui para uma avaliação matizada do ethos militar além do ponto de vista ontológico do Exército, lançando luz sobre o tecido social que entrelaça os homens e mulheres que compõem as marinhas.
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