A restante vida escrita: uma leitura da ressurreição em Maria Gabriela Llansol
Conteúdo do artigo principal
Resumo
O presente trabalho parte do pressuposto de que determinadas experiências de escrita se propõem não apenas como estéticas, mas como modos de compromisso que, por meio da forma, talvez reconhecida como artística, perseguem a abertura e a inauguração, no mundo e na realidade, de novas possibilidades de vida, ainda que, como realização, sejam inéditas. Para tal, ele se desenvolve em três movimentos: no primeiro, partimos da consideração de que, no texto de Maria Gabriela Llansol, há uma aposta na união entre liberdade de consciência, ou elemento ético, e dom poético, ou elemento estético, que pode ser afirmada como uma aspiração pela ressurreição. No segundo, realizamos um percurso por compreensões a respeito da ressurreição, de encontro com dois textos bíblicos – Lazare, veni foras e Noli me tangere – que marcam reflexões a respeito da ressurreição em relação com a literatura. Por fim, procuramos compreender como, em Maria Gabriela Llansol, tais considerações se fazem presentes pela “continuidade de problemáticas”, conforme é possível reconhecer na figura de Thomas Müntzer.
Downloads
Detalhes do artigo
Submeto (emos) o presente trabalho, texto original e inédito, de minha (nossa) autoria, à avaliação de Horizonte - Revista de Estudos de Teologia e Ciências da Religião, e concordo (amos) em compartilhar esses direitos autorais a ele referentes com a Editora PUC Minas, sendo que seu “conteúdo, ou parte dele, pode ser copiado, distribuído, editado, remixado e utilizado para criar outros trabalhos, sempre dentro dos limites da legislação de direito de autor e de direitos conexos”, em qualquer meio de divulgação, impresso ou eletrônico, desde que se atribua créditos ao texto e à autoria, incluindo as referência à Horizonte. Declaro (amos) ainda que não existe conflito de interesse entre o tema abordado, o (s) autor (es) e empresas, instituições ou indivíduos.
Reconheço (Reconhecemos) ainda que Horizonte está licenciada sob uma LICENÇA CREATIVE COMMONS - ATTRIBUTION 4.0 INTERNATIONAL (CC BY 4.0):
Este obra está licenciado com uma Licença Creative Commons Atribuição 4.0 Internacional.
Por isso, PERMITO (PERMITIMOS), "para maximizar a disseminação da informação", que outros distribuam, remixem, adaptem e criem a partir do seu trabalho, mesmo para fins comerciais, desde que lhe atribuam o devido crédito pela criação original.
Referências
BARTHES, Roland. Sade, Fourier, Loyola. Trad. Mário Laranjeira. São Paulo: Martins Fontes, 2005.
BARTHES, Roland. Aula. Tradução de Leyla Perrone-Moisés. São Paulo: Cultrix, 1978.
BÍBLIA SAGRADATRADUÇÃO DA CNBB. São Paulo: Loyola, 2002.
BLANCHOT, Maurice. A conversa infinita 1: A palavra plural. Trad. Aurélio Guerra Neto. São Paulo: Escuta, 2010.
BLANCHOT, Maurice. A escritura do desastre. Trad. Eclair Antonio Almeida Filho. São Paulo: Lumme editor, 2016.
BLANCHOT, Maurice. O espaço literário. Trad. Álvaro Cabral. Rio de Janeiro: Rocco, 2011.
BLOCH, Ernst. Thomas Münzer, teólogo de la revolución. Madrid: Editorial Ciencia Nueva, [s/d].
BRANCO. Biografema como método. Fio de água do texto (blog). Disponível em:
CEE. La Comisión Episcopal para la Doctrina de la Fe hace pública una Notificación sobre algunas obras del Prof. Andrés Torres Queiruga. Disponível em: < http://www.conferenciaepiscopal.es/la-comision-episcopal-para-la-doctrina-de-la-fe-hace-publica-una-notificacion-sobre-algunas-obras-del-prof-andres-torres-queiruga/?option=com_content&view=article&id=2682:notificaciones-sobre-algunas-obras-del-prof-andres-torres-queiruga&catid=126&Itemid=769>. Acesso em 10 dez. 2017.
CLÉMENT, Olivier. A ressurreição: hermenêutica e experiência eclesial. In: CLÉMENT, Olivier; RUPNIK, Marko Ivan. Ainda que tenha morrido, viverá: ensaio sobre a ressurreição dos corpos. São Paulo: Paulinas, 2010. p.7-29.
GAMBOGI. Michelet ou la résurrection comme méthode historiographique. In : Colloque Internationale L'histoire épitaphe I. Paris: Publications du Centre Seebacher, 2018. Disponível em:
KONINGS, Johan. Evangelho segundo João: amor e fidelidade. Petrópolis: Vozes; São Leopoldo: Sinodal, 2000.
LLANSOL, Maria Gabriela. Ardente Texto Joshua. Lisboa: Relógio d’Água, 1998.
LLANSOL, Maria Gabriela. Causa amante. Lisboa: Relógio d’Água, 1996.
LLANSOL, Maria Gabriela. Carta a Eduardo Prado Coelho. Fio de água do texto (blog). Disponível em: Disponível em:
LLANSOL, Maria Gabriela. Na Casa de Julho e Agosto. Lisboa: Relógio d’Água, 2003a.
LLANSOL, Maria Gabriela. O começo de um livro é precioso. Lisboa: Assírio & Alvim, 2003b.
LLANSOL, Maria Gabriela. Entrevistas. Belo Horizonte: Autêntica. 2011a.
LLANSOL, Maria Gabriela. Um Falcão no Punho. Belo Horizonte: Autêntica, 2011b.
LLANSOL, Maria Gabriela. O jogo da liberdade da alma. Lisboa: Relógio d’Água, 2003c.
LLANSOL, Maria Gabriela. O livro das comunidades. Lisboa: Relógio d’Água, 1999.
LLANSOL, Maria Gabriela. Lisboaleipzig 1: O encontro inesperado do diverso. Lisboa: Rolim, 1994.
LLANSOL, Maria Gabriela. Parasceve. Lisboa: Relógio D’Água, 2001.
LLANSOL, Maria Gabriela. O senhor de Herbais. Lisboa: Relógio d’Água. 2002a.
LLANSOL, Maria Gabriela. A Restante Vida. Lisboa: Relógio d’Água, 2002b.
LOPES, Silvina Rodrigues. Teoria da des-possessão: sobre textos de Maria Gabriela Llansol. Lisboa: Averno, 2013.
MICHELET, Jules. A feiticeira. Trad. Maria Luiza X. de A. Borges. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 1992.
MICHELET, Jules. Histoire de le XIX siécle, vol. II. Paris: Flamarion & Marpon, 1880.
MICHELET, Jules. Le peuple. Paris: Comptoir des Imprimeurs-Unis, 1846.
NANCY, Jean-Luc. A ressurreição de Blanchot. In: NANCY, Jean-Luc. Demanda: literatura e filosofia. Trad. João Camillo Penna. Florianópolis: ed. UFSC; Chapecó: Argos, 2016. p.253-264.
NANCY, Jean-Luc. Noli me tangere: Ensayo sobre el levantamiento del cuerpo. Trad. Maria Tabuyo e Agustín López. Madri: Trotta, 2006.
NOVUM IESU CHRISTI TESTAMENTUM: Iuxta Vulgatae Editionis Textum. Albae Pompeiae: Typis Piae Societatis S. Pauli, 1943.
QUEIRUGA, Andrés Torres. Repensar a ressurreição. Trad. Afonso Maria Ligório Soares; Anoar Jarbas Provenzi. São Paulo; Paulinas, 2004.
ROCHA NETO, João Alves. A escrita dos dias: a ética da paisagem em Maria Gabriela Llansol. Belo Horizonte: Universidade Federal de Minas Gerais. 2015 (Tese).