Na imanência, haverá saídas do sistema do juízo? O juízo de Deus em questão
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Resumo
Este artigo ocupa-se das relações entre o “juízo de Deus” e o “juízo final” e entre a transcendência e a imanência, a partir de duas perspectivas do Apocalipse: aquela contida no último livro bíblico, escrito por João de Patmos, e no seu contraponto, o Apocalipse de D. H. Lawrence. A primeira apresenta um cenário de julgamento e condenação dos ímprobos; se alimenta do medo e da esperança dos fiéis, que anseiam por uma vida de plenitude e paz eterna, após o triunfo daqueles que supostamente serão inocentados frente ao “tribunal divino”. A segunda perspectiva evidencia que João de Patmos descreveu um grande julgamento dos perseguidores de cristãos, o qual se configurou como um tribunal moral, do “bem” contra o “mal”, e prefigurou a esperança numa vida além-mundo, que tem consequências neste mundo por meio do “juízo de Deus”, praticado por quem necessita e deseja julgar. O artigo discute essas implicações, reconhece que os resultados do juízo atravessam corpos, pensamentos, discursos e práticas; constroem e destroem existências; estabelecem padrões morais e determinam maneiras de viver, mas insiste em questionar se há, na imanência, possibilidades de viver livre do sistema do juízo e encontra, em Lawrence, índices para uma resposta afirmativa.
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