Noite e medo Igreja e feitiçaria (Belém-PA, 1916-1940)
Conteúdo do artigo principal
Resumo
Propus nas reflexões a seguir, interpretar os sentidos da noite e os do medo na cidade de Belém-PA. O estudo foi estruturado por meio de dez processos de desquite, em algumas matérias publicadas no jornal católico “A Palavra” e em passagens bíblicas. Por conseguinte, a respeito do medo e da noite, ao se problematizar tais documentos, descortinei como maridos, esposas e Igreja Católica os compreenderam e os disseminaram no tempo e no lugar em tela. À vista disso, através da inquirição das fontes tornou-se possível afirmar que os dois substantivos jamais se distanciaram do catolicismo e da feitiçaria, então, ao serem intercalados por essas matrizes religiosas inevitavelmente foram reforçados pelas acepções de Deus e Diabo, luzes e trevas. Assim sendo, o intuito dos que manobravam os sentidos da noite, os do medo, os de Deus, os do Diabo passava pelo desejo de dominar o outro nas suas escalas psicorreligiosas. Desse modo, a intervenção ora apresentada foi sustentada sobre o argumento denominado de constrição do sujeito, a categoria explica que a noite e o medo, Deus e Diabo quando bem articulados pelos perpetradores conseguiram produzir pelo medo desgovernos sobre os perpetrados.
Downloads
Detalhes do artigo

Este trabalho está licenciado sob uma licença Creative Commons Attribution 4.0 International License.
Submeto (emos) o presente trabalho, texto original e inédito, de minha (nossa) autoria, à avaliação de HORIZONTE – Revista de Estudos de Teologia e Ciências da Religião, e concordo (amos) em conceder os direitos de publicação a ele referentes à Editora PUC Minas. Declaro (amos) que seu conteúdo, no todo ou em parte, pode ser copiado, distribuído, editado, remixado e utilizado para a criação de outros trabalhos, sempre dentro dos limites da legislação de direitos autorais e direitos conexos, em qualquer meio de divulgação, impresso ou eletrônico, desde que sejam atribuídos os devidos créditos ao texto e à autoria, incluindo a referência à HORIZONTE.
Declaro (amos), ainda, que não existe conflito de interesses de natureza pessoal, acadêmica, institucional ou financeira entre o tema abordado, o(s) autor(es) e quaisquer empresas, instituições ou indivíduos.
Reconheço (reconhecemos) que HORIZONTE está licenciada sob a Licença Creative Commons Attribution 4.0 International (CC BY 4.0):
Esta obra está licenciada sob uma Licença Creative Commons Atribuição 4.0 Internacional.
Por meio desta licença, autorizo (autorizamos), “para maximizar a disseminação da informação”, que terceiros possam compartilhar, distribuir, remixar, adaptar e criar a partir deste trabalho, inclusive para fins comerciais, desde que seja atribuído o devido crédito à autoria original.
Referências
A PALAVRA. Belém, 04 de abril de 1918, p. 01.
A PALAVRA. Belém, 22 de março de 1931, p. 01.
A PALAVRA. Belém, 27 de novembro de 1927, p. 01.
AÇÃO DE DESQUITE LITIGIOSA impetrada por Alcides Alcantara Malcher contra Maria da Conceição Alcantara Malcher, 1916.
AÇÃO DE DESQUITE LITIGIOSA promovida por Abhrão Goldizmith contra Consolação Silva Goldizmith, 1917.
AÇÃO DE DESQUITE LITIGIOSA impetrada por Conceição Almeida Silva contra Francisco Nunes Silva, 1919.
AÇÃO DE DESQUITE LITIGIOSA promovida por Bebiana Souza Silva contra Leopoldo Souza Silva, 1924.
AÇÃO DE DESQUITE LITIGIOSA promovida por Mariangela Nunes de Albuquerque contra Ruth Nunes de Albuquerque, 1925.
AÇÃO DE DESQUITE LITIGIOSA promovido por Frederico Silva e Silva contra Clotilde Vargas Silva, 1927.
AÇÃO DE DESQUITE LITIGIOSA promovida por Sílvia Conceição contra Everaldo Conceição, 1929.
AÇÃO DE DESQUITE LITIGIOSA promovida por Francisca Gomes Nunes contra Frederico Andrades Silva, 1930.
AÇÃO DE DESQUITE LITIGIOSA promovida por João Coelho de Miranda Fonseca e Iracy Moreira de Miranda Fonseca, 1937.
AÇÃO DE DESQUITE LITIGIOSA promovida por Amarildo Vicente Dias e Joana Caetana Dias, 1940.
BÍBLIA de Jerusalém. São Paulo: Paulus, 2002.
DELUMEAU, Jean. História do medo no Ocidente (1300-1900). São Paulo: Companhia das Letras, 1989.
DELUMEAU, Jean. O pecado e o medo: a culpabilização no Ocidente (séculos 13-18). Vol. I. Bauru: EDUSC, 2003, p. 60.
DIEL, Paul. La peur et langoisse: phénomène de la vie et de son évolution. Paris: Payot, 1985.
GINZBURG, Carlo. Os andarilhos do bem: feitiçaria e cultos agrários nos séculos XVI e XVII. São Paulo: Companhia das Letras, 1990.
HEIDEGGER, Martin. Ser e tempo. Parte I. Petrópolis: Vozes, 2005, p. 197.
MANDROU, Robert. Magistrados e feiticeiros na França do século XVII: uma análise de psicologia histórica. São Paulo: Perspectiva, 1979.
MELLO e SOUZA, Laura de. O diabo e a terra de Santa Cruz: feitiçaria e religiosidade popular no Brasil colonial. São Paulo: Companhia das Letras, 2009.
MONTAIGNE, Michel de. “Sobre o medo”. In: Os ensaios: uma seleção. São Paulo: Companhia das Letras, 2010, p. 55.
RIBEIRO, Márcia Moisés. Exorcistas e demônios: demonologia e exorcismos no mundo luso-brasileiro, século XVIII. Rio de Janeiro: Editora Campus, 2003.
RIBEIRO, Renato Janine. Medo e esperança em Hobbes. In: NOVAES, Adauto (org.). A crise do Estado-Nação. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 2003, p. 137-165.
ROSA, João Guimarães. Grande sertão: veredas. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 2006.
SHAKESPEARE, William. Júlio César. Porto Alegre: L & PM, 2016, p. 36-37.
THOMAS, Keith. Religião e o declínio da magia: crenças populares na Inglaterra, séculos XVI e XVII. São Paulo: Companhia das Letras, 1991.