Política, religiões e (ant)agonismo o pluralismo democrático em face do inimigo religioso
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Resumo
O presente artigo examina a interação entre autoridade moral e política vis-à-vis à crescente polarização política. A associação entre discurso religioso e forças conservadoras na arena pública desafia o papel das religiões em sociedades pluralistas. Argumentamos que a democracia liberal busca equilibrar a liberdade e a democracia, mas nunca alcança um equilíbrio perfeito. O artigo está estruturado em três seções. Primeiramente, discute os desafios dentro da teoria democrática liberal, com foco na perspectiva crítica de Carl Schmitt. Exploramos o conceito de "inimigo" e suas implicações para repensar a política como um domínio de forças antagônicas. No entanto, o artigo argumenta que a perspectiva de Chantal Mouffe oferece uma compreensão mais matizada do conflito como agonismo. A seção subsequente enfatiza os conflitos entre ordens religiosas e o ordenamento constitucional. Lançamos mão das lições de Ran Hirschl e Ayelet Shachar para demonstrar como ordens religiosas específicas desafiam o constitucionalismo ao promover reivindicações normativas que se opõem ao arcabouço legal. Por fim, a última seção explora possíveis caminhos para reavaliar a participação democrática de atores religiosos na arena política. Concluímos que a democracia agonística, informada pela participação religiosa e não religiosa, pode reafirmar o pluralismo na medida em que nenhuma crença é desacreditada ou impedida pelas elites predominantes.
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