Transição religiosa e pluralidade no Brasil
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Resumo
O artigo analisa a transição religiosa no Brasil a partir de uma perspectiva histórica e demográfica, com destaque para os resultados preliminares do Censo Demográfico de 2022. Desde o monopólio católico registrado em 1872 até a crescente diversidade observada no século XXI, o país passou por um processo contínuo de pluralização religiosa. Entre 1991 e 2010, a queda dos católicos e o crescimento dos evangélicos e do grupo sem religião se intensificaram, tendência que continua em 2022, embora em ritmo mais lento no plano nacional. A análise mostra forte heterogeneidade regional: enquanto no Norte alguns estados já registram maioria evangélica, no Nordeste o catolicismo ainda mantém predominância. Em nível municipal e metropolitano, os contrastes são ainda mais marcantes, com cidades onde os evangélicos já superaram os católicos. O estudo utiliza indicadores como a razão entre evangélicos e católicos (REC) e o índice de entropia de Shannon para medir pluralidade e transformação religiosa. Conclui-se que a transição segue em curso, mas sem limites fixos para católicos ou evangélicos, e que os cenários futuros dependerão de fatores demográficos, sociais e culturais, podendo levar a uma pluralidade ainda maior até 2050.
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