Diversidade religiosa no Brasil e o CENSO de 2022 Críticas, classificações e panorama
Conteúdo do artigo principal
Resumo
Este artigo reflete acerca dos dados iniciais do Censo de 2022, com ênfase na temática da diversidade religiosa. A metodologia utilizada foi quanti-qualitativa, isto é, bibliográfico-teórica, com revisão de textos e autores, e analítico-interpretativa, acompanhada de análise dos dados censitários, em especial o de 2022. Questiona-se se os dados indicam indícios de maior diversidade religiosas ou se trata somente um rearranjo de tendência sociorreligiosas dentro do cristianismo majoritariamente presente no país. Sugere-se que os dados sócio numéricos podem ser interpretados como um indicativo de um Brasil mais diverso, ainda que tênue, e como uma reconfiguração mais intensa de tendências demográfico-sociais no campo religioso brasileiro. Entretanto, entende-se que, com os dados agregados disponíveis apresentados pelo IBGE, ainda não é possível alcançar respostas mais incisivas diante das transformações histórico-sociais que estão emergindo no campo das religiões no Brasil, tornando-se uma questão em aberto. Assim, os resultados deste artigo destacam a necessidade de se qualificar melhor as categorias censitárias, principalmente o tipo de classificação por meio dos “grandes grupos de religião” definidos pelo Censo de 2022, no sentido de melhor entender o peso da diversidade religiosa no país, diante da presença das múltiplas práticas de fé na realidade social brasileira.
Downloads
Detalhes do artigo

Este trabalho está licenciado sob uma licença Creative Commons Attribution 4.0 International License.
Submeto (emos) o presente trabalho, texto original e inédito, de minha (nossa) autoria, à avaliação de HORIZONTE – Revista de Estudos de Teologia e Ciências da Religião, e concordo (amos) em conceder os direitos de publicação a ele referentes à Editora PUC Minas. Declaro (amos) que seu conteúdo, no todo ou em parte, pode ser copiado, distribuído, editado, remixado e utilizado para a criação de outros trabalhos, sempre dentro dos limites da legislação de direitos autorais e direitos conexos, em qualquer meio de divulgação, impresso ou eletrônico, desde que sejam atribuídos os devidos créditos ao texto e à autoria, incluindo a referência à HORIZONTE.
Declaro (amos), ainda, que não existe conflito de interesses de natureza pessoal, acadêmica, institucional ou financeira entre o tema abordado, o(s) autor(es) e quaisquer empresas, instituições ou indivíduos.
Reconheço (reconhecemos) que HORIZONTE está licenciada sob a Licença Creative Commons Attribution 4.0 International (CC BY 4.0):
Esta obra está licenciada sob uma Licença Creative Commons Atribuição 4.0 Internacional.
Por meio desta licença, autorizo (autorizamos), “para maximizar a disseminação da informação”, que terceiros possam compartilhar, distribuir, remixar, adaptar e criar a partir deste trabalho, inclusive para fins comerciais, desde que seja atribuído o devido crédito à autoria original.
Referências
ANDRADE, Péricles; MENEZES, Jonatas. Censo 2010: antigas questões e novos desafios interpretativos à Sociologia da Religião. Cadernos do Tempo Presente, [S. l.], n. 11, 2014. DOI: 10.33662/ctp. v0i11.2763. Disponível em: https://periodicos.ufs.br/tempo/article/view/2763. Acesso em: 11 jun. 2025.
AMARAL, Leila. Carnaval da alma - Comunidade, essência e sincretismo na Nova Era. Petrópolis: Vozes, 2000.
BRASIL, Ministério da Igualdade Racial. Guia De Orientação Para Denúncias De Racismo Religioso. Brasília, s/d.
BOURDIEU, Pierre. A Economia das Trocas Simbólicas. 5. ed., São Paulo: Perspectiva, 1998.
CAMURÇA, Marcelo. A. A Realidade das religiões no Brasil no Censo do IBGE2000. In TEIXEIRA, Faustino; MENEZES, Renata. (org). As Religiões no Brasil. Continuidades e rupturas. Petrópolis: Vozes, 2011.
CAMURÇA, Marcelo. A religião e o Censo: enfoques metodológicos. Uma reflexão a partir das consultorias do ISER ao IBGE sobre o dado religioso nos censos. In: CUNHA, Cristina V. da; MENEZES, Renata. Religiões em conexão: números, direitos, pessoas. Comunicações do ISER, n. 69. Rio de Janeiro: ISER, 2014, p. 8-18.
FERNANDES, Clemir. Censo de religião: O predomínio dos cristãos e a pluralidade na democracia. In Um Brasil mais plural? Reflexões sobre os dados de Religião do Censo 2022, Instituto de Estudos da Religião. – Rio de Janeiro, RJ: ISER, 2025.
FRANZOLIM, Ivan. Espiritismo no Censo 2022: Hora de Acordar para o Futuro. Juventude Espírita, 1 jul. 2023. Disponível em: https://www.juventudeespirita.com.br/espiritismo-no-censo-2022-hora-de-acordar-para-o-futuro/. Acesso em: 21 ago. 2025
GUIMARÃES, Antônio Sérgio Alfredo. Raças e racismos, junções e disjunções. Tempo Social, São Paulo, Brasil, v. 36, n. 2, p. 37–59, 2024. DOI: 10.11606/0103-2070.ts.2024.221936. Disponível em: https://revistas.usp.br/ts/article/view/221936. Acesso em: 3 jun. 2025.
GHIRALDELLI, P. Capitalismo 4.0. Sociedades e subjetividades. São Paulo: CEFA Editorial, 2025.
HALL, Stuart. Raça, o significante flutuante. Z Cultural: Revista cultural do programa avançado de cultura contemporânea da UFRJ, [s.l.], ano 8, n. 2, online, 1995. Disponível: https://revistazcultural.pacc.ufrj.br/raca-o-significante-flutuante%EF%80%AA/. Acesso em: 3 jun. 2025.
IBGE. Censo Demográfico – VI Recenseamento Geral do Brasil (1o de julho de 1950). Rio de Janeiro: Serviço Gráfico do IBGE, 1953.
IBGE. Censo Demográfico – VIII Recenseamento Geral do Brasil - 1970. Rio de Janeiro: Serviço Gráfico do IBGE, 1970.
IBGE. Censo Demográfico – IX Recenseamento Geral do Brasil - 1980. Rio de Janeiro: Fundação IBGE, 1983.
IBGE. Censo Demográfico – Características Gerais da População e Instrução (resultados da amostra). Rio de Janeiro: Fundação IBGE, 1991.
IBGE. Censo Demográfico – Características Gerais da População e Instrução (resultados da amostra). Rio de Janeiro: Fundação IBGE, 2002.
IBGE. Censo Demográfico – Características Gerais da População e Instrução (resultados da amostra). Rio de Janeiro: Fundação IBGE, 2012.
IBGE. Censo Demográfico – Características Gerais da População e Instrução (resultados da amostra). Rio de Janeiro: Fundação IBGE, 2025.
IBGE. Censo 2022: católicos seguem em queda; evangélicos e sem religião crescem no país. Editoria de Marília Loschi. 2025b. Disponível: https://agenciadenoticias.ibge.gov.br/agencia-noticias/2012-agencia-de-noticias/noticias/43593-censo-2022-catolicos-seguem-em-queda-evangelicos-e-sem-religiao-crescem-no-pais. Acesso 3 jun. 2025.
IBGE. Sobre os questionários. Rio de Janeiro: IBGE, 2022a. Disponível em: https://anda.ibge.gov.br/sobre/questionarios.html. Acesso em: 3 jun. 2025.
IBGE. Religiões: resultados preliminares da amostra. Rio de Janeiro: IBGE, 2022b. Disponível em: https://agenciadenoticias.ibge.gov.br/media/com_mediaibge/arquivos/3f1708b5d315aca50d5a7d8764469c45.pdf. Acesso em: 3 jun. 2025.
MAFRA, Clara. Censo da Religião: um instrumento descartável ou reciclável? Religião e Sociedade, 24/2, 2004, p. 152159.
NEGRÃO, Lísias Nogueira. Pluralismo e multiplicidades religiosas no Brasil contemporâneo. Sociedade e Estado, Brasília, v. 23, n. 2, p. 261-279, maio/ago. 2008.
NEGRÃO, Lísias Nogueira. Trajetórias do sagrado. Tempo Social, v. 20, n. 2, 2008b, p. 115-132.
NEGRÃO, Lísias Nogueira. Entre a cruz e a encruzilhada. São Paulo, Edusp, 1996.
PACE, Enzo; OLIVEIRA, Irene Dias de; AUBRÉE, Marion (orgs). Fundamentalismos religiosos, violência e sociedade. São Paulo: Fonte Editorial, Edições Terceira Via, 2017.
PIERUCCI, Antônio F. Entrevista. Ciência Hoje. São Paulo: SPBC-Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência, n. 222, dez. de 2005. Disponível em: https://cienciahoje.org.br/artigo/entrevista-antonio-flavio-pierucci/ Acesso em: 3 jun. 2025
PIERUCCI, Antônio Flávio. "Bye bye, Brasil": o declínio das religiões tradicionais no Censo 2000. Estudos Avançados, São Paulo, Brasil, v. 18, n. 52, p. 17–28, 2004. Disponível em: https://revistas.usp.br/eav/article/view/10021. Acesso em: 21 ago. 2025.
PIERUCCI, A. F.. Religião como solvente: uma aula. Novos estudos CEBRAP, n. 75, p. 111–127, jul. 2006.
PIERUCCI, Antônio F. De olho na modernidade religiosa. Tempo Social, Revista de Sociologia da USP, v. 20, n. 21, novembro 2008.
PIERUCCI, Antônio F. O crescimento da liberdade religiosa e o declínio da religião tradicional: a propósito do censo 2010. Anuac - Rivista dell'Associazione Nazionale Universitaria Antropologi Culturali, v. n. 2012, n. 2, p. 87-96, 2012 Tradução. Disponível em: http://www.rivistanuac.eu/OJS/index.php/anuac/article/view/36. Acesso em: 21 ago. 2025.
PRANDI, Reginaldo. As religiões afro-brasileiras e seus seguidores. Civitas, Revista de Ciências Sociais, Porto Alegre, PUC-RS, vol. 3, nº 1, p. 15-34, junho de 2003.
PRANDI, Reginaldo; SANTOS, Renan; BONATO, Massimo. Igrejas evangélicas como máquinas eleitorais no Brasil. Revista USP, n. 120, p. 43-60, 11 mar. 2019.
RIBEIRO, Claudio de Oliveira; FRANCO, Clarissa de. A pluralidade religiosa global e nacional em questão. Caminhos, Goiânia, v. 18, p. 308-324, 2020.
SANCHIS, Pierre. As tramas sincréticas da história: Sincretismo e modernidades no espaço luso-brasileiro. Revista Brasileira de Ciências Sociais, 28, 1995.
SANTOS, Maria G. Os limites do Censo no campo religioso brasileiro. In: CUNHA, Cristina V. da; MENEZES, Renata. Religiões em conexão: números, direitos, pessoas. Comunicações do ISER, n. 69. Rio de Janeiro: ISER, 2014, p. 18-33.
SENA, Emerson; SOFIATI, Flávio Munhoz; ANDRADE, Péricles. O campo católico-midiático na sindemia de COVID-19: tensões, disputas e “guerra dos deuses”. Reflexão, [S. l.], v. 49, 2024. DOI: 10.24220/2447-6803v49a2024e8713. Disponível em: https://puccampinas.emnuvens.com.br/reflexao/article/view/8713 . Acesso em: 15 jun. 2026.
TONIOL, Rodrigo. Censo de 2022 e religião no Brasil. Horizontes antropológicos, Porto Alegre, ano 31, n. 72, e720701, maio/ago. 2025, p. 1-17.
WEBER, Max. “Rejeições Religiosas do Mundo e suas Direções”. In: GERTH, H. M. e MILLS, C. Wright (orgs). Max Weber. Ensaios de Sociologia. 5 ed. Rio de Janeiro: LTC, 1982, p. 371-410.