Evangélicas e performances reprodutivas no Brasil uma análise à luz do Censo Demográfico de 2022
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Resumo
Este artigo investiga a relação entre pertencimento religioso e comportamentos reprodutivos femininos no Brasil, com ênfase na exceção evangélica evidenciada pelo Censo Demográfico de 2022. Enquanto a taxa de fecundidade média nacional caiu para 1,55 filho por mulher, entre as mulheres evangélicas o índice permanece acima da média, alcançando 1,74. Os cruzamentos realizados mostram que a fecundidade evangélica permanece superior à católica nas cinco Grandes Regiões e em todos os níveis de instrução analisados. A partir de uma análise descritiva que articula dados censitários e interpretações culturais e teológicas, o estudo examina a hipótese de que a reprodução, em determinados contextos evangélicos, pode operar como vocação espiritual e expressão comunitária de pertencimento. A fé pode reforçar a compreensão da maternidade como missão e fidelidade a Deus em contraste com discursos seculares de autonomia e planejamento familiar. A pesquisa também explora o papel das redes de cuidado e reconhecimento comunitário nas igrejas, os marcadores de escolaridade por religião e as diferenças em relação a repertórios católicos, espíritas e afro-brasileiros. Os resultados indicam que a composição territorial e educacional contribui para a compreensão das diferenças de fecundidade, mas não as esgota. Conclui-se que a fecundidade não deve ser tratada apenas como dado demográfico, mas também como expressão simbólica e moral situada em tradições religiosas específicas.
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