Interculturalidade Surda e Ensino Religioso por uma pedagogia bilíngue decolonial no componente curricular da BNCC
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Resumo
Este ensaio teórico-crítico propõe elevar a Interculturalidade Surda a categoria epistêmica e política no campo das Ciências da Religião, argumentando que a surdez é lugar de enunciação subalternizado pela colonialidade ouvinte (audismo). A partir da interculturalidade crítica de Walsh, da filosofia intercultural de Fornet-Betancourt, do conceito de Deafhood de Ladd e das Epistemologias do Sul de Santos, demonstra-se que o fonocentrismo no Ensino Religioso exclui pessoas surdas do sagrado e da diversidade religiosa. Articula-se análise teórica com pesquisa sobre políticas educacionais, situando a educação bilíngue (Libras-Português) como imperativo de libertação e justiça cognitiva. A inclusão funcional é insuficiente: é necessária a transformação radical das estruturas epistemológicas do Ensino Religioso. A educação bilíngue na BNCC não é técnica de acessibilidade, mas imperativo de reconhecimento da Deafhood como modo legítimo de conhecer e experienciar o sagrado. O artigo articula, ademais, as sete ocorrências da Libras no texto da BNCC (Brasil, 2018) como fundamento normativo, e dialoga com a literatura brasileira de Estudos Surdos (Quadros, Perlin, Skliar, Strobel, Gesser, Goldfeld, Sá) e Ciências da Religião decolonial (Gruen, Crepaldi-Souza, Nogueira Baptista), preenchendo lacuna fundamental na intersecção entre Estudos Surdos, Educação Intercultural e Ciências da Religião na América Latina.
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