Interculturalidade do mundo e da humanidade como desafio para a filosofia e seu ensino

Conteúdo do artigo principal

Raúl Fornet-Betancourt

Resumo

O presente artigo analisa a interculturalidade do mundo e da humanidade como dimensão constitutiva do processo histórico, em contraposição às tendências de homogeneização promovidas pelo projeto civilizatório hegemônico contemporâneo. Parte-se da compreensão de que a pluralidade dos mundos de vida constitui fundamento para uma crítica ao globalismo e à monocultura digital. O objetivo do trabalho é examinar as implicações dessa perspectiva para a reconfiguração da filosofia e de sua prática de ensino. Metodologicamente, trata-se de uma pesquisa teórico-bibliográfica, de abordagem hermenêutico-crítica, ancorada na análise conceitual da filosofia intercultural de Raúl Fornet-Betancourt. Os resultados evidenciam a necessidade de uma metamorfose da filosofia, que supere a tradição exegética centrada em sistemas e textos, assumindo a escuta, o diálogo e a abertura aos mundos de vida como fundamentos epistemológicos. O texto organiza-se em três eixos: a defesa da pluralidade dos mundos como universos linguísticos, a crítica ao ocultamento dessa diversidade por meio da racionalidade técnico-digital e a problematização do sentido contemporâneo do ensino da filosofia. Conclui-se que a adoção de uma interculturalidade intensa possibilita à filosofia e à educação a criação de espaços de convivência plural, contribuindo para o enfrentamento das desigualdades e para a afirmação da diversidade humana.

Downloads

Não há dados estatísticos.

Detalhes do artigo

Como Citar
FORNET-BETANCOURT, Raúl. Interculturalidade do mundo e da humanidade como desafio para a filosofia e seu ensino. HORIZONTE, Belo Horizonte, v. 24, n. 1, p. e24(01)d01, 2026. Disponível em: https://periodicos.pucminas.br/horizonte/article/view/38040. Acesso em: 17 jun. 2026.
Seção
Dossiê Interculturalidade
Biografia do Autor

Raúl Fornet-Betancourt, Universidade de Bremen

Doutorado em Filosofia e Letras pela Universidade de Salamanca, Espanha. Doutorado em Filosofia Linguística pela Universidade de Aquisgrã, Alemanha.

Referências

Becker, Ralf (2021) Qualitätsunterschiede. Kulturphänomenologie als kritische Theorie. Felix Meiner Verlag.

Dilthey, Wilhelm (1954). La cultural actual y la filosofía. En: Dilthey, Wilhelm. Obras Completas, tomo VIII, Fondo de Cultura Económica.

Fornet-Betancourt, Raúl (2001). Transformación intercultural de la Filosofía, Desclée de Bouvierao.

Fornet-Betancourt, Raúl (2009). Tareas y propuestas de la Filosofía Intercul¬tural. Wissenschaftsverlag Mainz.

Fornet-Betancourt, Raúl (2014). Justicia, Restitución, Convi¬ven¬cia. Desafíos de la Filosofía Intercultural en América Latina. Wissen¬schafts¬verlag Mainz.

Fornet-Betancourt, Raúl (2021). Tradition, Dekolonialität, Konvivenz. Themenfelder zur Erprobung Interkultureller Philosophie. Wissenschafts¬ver¬lag Mainz.

Hedwig, Klaus. (1980). Sphaera Lucis. Studien zur Intelli¬gi¬bilität des Seienden im Kontext der mittelalterlichen Lichtspekulation. Ver¬lag Aschendorff.

Hegel, G.W.F. (1955). Filosofía del derecho. Editorial Claridad.

Hegel, G.W.F. (1970). Grundlinien der Philosophie des Rechts, en Werke in zwanzig Bänden, tomo 7, Suhrkamp Verlag.

Heidegger, Martin (1957/58). Das Wesen der Sprache”, en Unterwegs zur Sprache.

Heidegger, Martin (1963). Carta sobre el humanismo. En: Sarte, Jean-Paul; Heidegger, Martin. Existencialismo y humanismo. Editorial Sur.

Heidegger, Martin (1976). Brief über den Humanismus. En: Heidegger, M. Wegmarken, Gesamt¬ausgabe, tomo 9, Vittorio Klostermann.

Heidegger, Martin (1985). Unterwegs zur Sprache (Gesamt¬ausgabe, tomo 12). Vittorio Kloster¬mann.

Heidegger, Martin (2006). Identität und Differenz, en Gesamtausgabe, tomo 11, Vittotio Klostermann.

Heidegger, Martin. (1962). El Ser y el Tiempo. Fondo de Cultura Económica.

Heidegger, Martin. (1977). Sein und Zeit, en Gesamtausgabe, tomo 2, Vittorio Klostermann.

Herder, Johann Gottfried. (1982) Über den Ursprung der Sprache, en Herders Werke in fünf Bänden, Aufbau Verlag.

Humboldt, Wilhelm von (1963). Über die Ver¬schieden¬heit des menschlichen Sprachbaues und ihren Einfluss auf die geisti¬ge Entwicklung des Menschengeschlechts, en Werke in fünf Bänden, tomo 3, Schriften zur Sprachphilosophie, Wissenschaftliche Buchgesellschaft, Darm¬stadt. pp. 368-756.

Jaspers, Karl Jaspers. (1933). Die geistige Situation der Zeit. Verlag Walter de Gruyter.

Mittelstraß, Jürgen (1991). Geschichtlichkeit und Geschichte der Philosophie. En: Sandkühler, Hans Jörg (Editor). Geschichtlichkeit de Philosophie. Peter Lang Verlag.

Ortega y Gasset, José (1983). La momia de la filosofía. En: Ortega y Gasset, José. Obras Completas, to¬mo 12, Alianza Editorial / Revista de Occidente.

Schmitt, Peter (2021). Postdigital. Medienkritik im 21. Jahrhundert. Felix Meiner Verlag.

Schnell, Martin W.; Dunger, Christine (Hrsg.). (2021) Digitalisierung der Lebens¬welt. Verlag Velbrück Wissenschaft.

Unamuno Miguel de (1968). Algunas consi¬dera¬cio¬nes sobre la literatura hispanoamericana, Editorial Espasa-Calpe.

Unamuno, Miguel de (1967). Sobre la lengua española. En: Unamuno, Miguel de. La dignidad huma¬na, Edi¬to¬rial Espasa-Calpe. pp. 59-70.

Villoro, Luis (2016). La significación del silencio y otros ensayos. Fondo de Cul¬tura Económica.