A Reforma de Lutero, 500 anos depois: a perspectiva da sua catolicidade a partir do documento “Do Conflito à Comunhão”, da Comissão Internacional Católica-Luterana
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Resumo
O artigo reflete sobre a Reforma de Lutero (1517), com o objetivo de compreender nela a dimensão da catolicidade da fé cristã. Por séculos, nos meios católicos romanos é comum a afirmação da Reforma apenas como causa e expressão de divisões na Igreja, e que à tradição eclesial luterana não cabe a nota da catolicidade, admitida à tradição eclesial vinculada à Igreja de Roma. Contudo, estudos de teólogos católicos sobre Lutero e o progresso das relações ecumênicas entre católicos e luteranos na atualidade, convergem na compreensão que Lutero não queria dividir a Igreja, e que ele não se distanciou em tudo da tradição católica na afirmação da fé cristã. Então o diálogo ecumênico propõe hoje o desafio: podem cristãos católicos e luteranos comemorarem juntos os 500 anos da Reforma? Relacionando o documento do diálogo internacional católico-luterano, Do Conflito à Comunhão, e estudos recentes sobre Lutero, conclui-se que essa comemoração conjunta só será possível se as duas tradições eclesiais forem situadas num horizonte comum de catolicidade. A base é o reconhecimento de elementos comuns na fé de católicos e luteranos. A comemoração tem tom penitencial pelo que pode significar de falta de comunhão; e tom de esperança pelos elementos que a Reforma apresenta para o crescimento da comunhão entre as duas tradições eclesiais.
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