O KAFKIANO ELOGIO DE ABRAÃO

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Mauro Rocha Baptista

Resumo

Neste artigo abordamos uma carta de Franz Kafka escrita em 1921, na qual ele apresenta a seu amigo Robert Klopstock sua interpretação do personagem bíblico Abraão. Nosso objetivo é ressaltar o humor presente nessa interpretação kafkiana como uma das marcas pouco analisadas no judeu de Praga. Para tanto apresentaremos primeiramente o Elogio de Abraão proposto por Kierkegaard em seu Temor e Tremor afim de observar a possível influência do filósofo dinamarquês sobre as conclusões propostas pelo próprio Ka fka. Na sequência serão apresentadas as três principais figuras criadas por Kafka, a do Abraão incapaz de realizar sua função, mas que permanece sempre em prontidão; a do Abraão trapaceiro, que não termina suas funções na casa para não ter que realizar o q ue Deus lhe pede; e a do Abraão inseguro, que ouve o chamado, mas que não acredita que este lhe diga respeito. Ressaltamos nas três figuras kafkianas a intenção primordial dele em produzir uma outra forma de elogio, uma que se adequa melhor à sua sensibilidade permeada pelo humor judaico, que aquela da serenidade cristã proposta por Kierkegaard.

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Como Citar
BAPTISTA, Mauro Rocha. O KAFKIANO ELOGIO DE ABRAÃO. INTERAÇÕES, Belo Horizonte, v. 13, n. 23, p. 193–210, 2018. DOI: 10.5752/P.1983-2478.2018v13n23p193-210. Disponível em: https://periodicos.pucminas.br/interacoes/article/view/16088. Acesso em: 31 ago. 2025.
Seção
ARTIGOS
Biografia do Autor

Mauro Rocha Baptista, Universidade do Estado de Minas Gerais

Doutor (2009) em Ciência da Religião pela Universidade Federal de Juiz de Fora. Professor vinculado ao Departamento "Ciências Humanas" da Universidade do Estado de Minas Gerais-UEMG.

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