Corpos ditos pelo outro: Uma leitura de Michel de Certeau

  • Geraldo Luiz De Mori Faculdade Jesuítas de Filosofia e Teologia (FAJE)
  • Virgínia Buarque Universidade Federal de Ouro Preto (UFOP)
Palavras-chave: Michel de Certeau, corpo, ficção, autoridade, mística

Resumo

O objetivo deste artigo é tematizar a reflexão de Michel de Certeau sobre os sentidos atribuídos ao corpo pela cultura ocidental, apontando também suas ressignificações pela religiosidade cristã. Para tanto, em termos metodológicos, atentou-se aos diálogos interdisciplinares promovidos por este autor, que transitava entre os campos da psicanálise, da história, da linguística, da filosofia, da teologia e da espiritualidade. Como primeira hipótese, postula-se que, para De Certeau, o corpo configura-se como uma “ficção” viabilizadora de práticas sociais, ou seja, uma instância de “autoridade” capaz de suscitar adesões, conflitos e transformações. Isto porque, segundo este intelectual jesuíta, o corpo constitui-se, simultaneamente, tanto como um aporte simbólico de poderes institucionalizados, como mediação para bricolagens, desvios e transgressões político-culturais promovidas no cotidiano. De forma concomitante, considera-se como segunda hipótese que, como indicado por De Certeau, o corpo na tradição cristã foi também vivenciado como instância “mística”, isto é, enunciador, por suas manifestações, do anseio por ser habitado por um outro/Outro. Sugere-se ainda que a atualização dessa condição existencial e política no tempo presente viabiliza aos sujeitos positivarem sua intrínseca incompletude e fragilidade humanas, favorecendo, em decorrência, experiências histórico-sociais mais sensíveis e compartilhadas.

Biografia do Autor

Geraldo Luiz De Mori, Faculdade Jesuítas de Filosofia e Teologia (FAJE)
Bacharel em Filosofia (1986) e Teologia (1992) pelo Centro de Estudos Superiores da Companhia de Jesus - CES - (Belo Horizonte, MG), atual Faculdade Jesuíta de Filosofia e Teologia - FAJE -; licenciado em Filosofia pela Pontifícia Universidade Católica de Minas Gerais (1990); mestre (1996) e doutor (2002) em Teologia pelo Centre Sèvres - Facultés Jésuites de Paris (França). Atualmente é professor adjunto no Departamento de Teologia da FAJE, do qual é Diretor e Coordenador da Pós-Graduação. É também Coordenador Central de Pós-Graduação e Pesquisa na mesma IES. Dedica-se à pesquisa e ao ensino da Antropologia Teológica e da Escatologia Cristã e é líder do Grupo de Pesquisa Interfaces da Cristologia e da antropologia na teologia contemporânea. Estuda também temas de cristologia e hermenêutica, e busca estabelecer relações entre teologia e literatura. Publicou, em 2006, pelas Éd. du Cerf: Le temps, énigme des hommes, mystère de Dieu. Estuda o pensamento de Pierre Teilhard de Chardin e Paul Ricoeur. Desde 2010 é vice-presidente da Soter - Sociedade de Teologia e Ciências da Religião. Em 2011 fez um estágio pós-doutoral em Paris, no Institut Catholique de Paris.
Virgínia Buarque, Universidade Federal de Ouro Preto (UFOP)

Doutora em História pela UFRJ, pós-doutora em Ciências Religiosas pela Université Laval. Professora da Universidade Federal de Ouro Preto. Integrante do Grupo de Pesquisas As Interfaces da Antropologia na Teologia Contemporânea, da FAJE. 

Publicado
29-12-2016
Como Citar
DE MORI, G. L.; BUARQUE, V. Corpos ditos pelo outro: Uma leitura de Michel de Certeau. HORIZONTE - Revista de Estudos de Teologia e Ciências da Religião, v. 14, n. 44, p. 1538-1564, 29 dez. 2016.
Seção
Artigos/Articles: Temática Livre/Free subject