Ativismo digital evangélico e contrassecularização na eleição de Jair Bolsonaro

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Carlos Eduardo Souza Aguiar

Resumo

A emergência das redes digitais consolida um novo tipo de ativismo religioso no contexto brasileiro que potencializa a chamada onda conservadora. Trata-se de novas dinâmicas que colaboram para a saturação da fronteira entre as esferas do religioso e da política, característica-chave do ideal clássico de secularização. Este artigo aborda o papel do ativismo evangélico conservador digital na eleição presidencial de 2018, marcada pelo engajamento aberto de igrejas e líderes religiosos na disputa eleitoral, mobilizando suas redes de fiéis, sobretudo em torno de uma pauta moral e de costumes. A pesquisa se baseia na conjunção do uso de dados disponíveis extraídos de fontes secundárias e o estudo exploratório nas redes com base em uma amostra não-probabilística obtida por meio de procedimentos de amostragem intencional. Observou-se que o engajamento evangélico eleitoral nas redes é o resultado da consolidação de movimentos conservadores de contra-secularização. Em um contexto de pluralismo, as redes digitais permitem, paradoxalmente, além de uma tomada de palavra e visibilidade de uma série de minorais, uma reação a esses avanços progressistas, com impacto direto na vitória de Jair Bolsonaro.

Article Details

Como Citar
SOUZA AGUIAR, C. E. Ativismo digital evangélico e contrassecularização na eleição de Jair Bolsonaro. HORIZONTE - Revista de Estudos de Teologia e Ciências da Religião, v. 18, n. 56, p. 600, 31 ago. 2020.
Seção
Artigos/Articles: Dossiê/Dossier
Biografia do Autor

Carlos Eduardo Souza Aguiar, Faculdade Paulus de Tecnologia e Comunicação (Fapcom)

É doutor em Sociologia (Université Sorbonne Paris Cité), mestre em Ciências da Comunicação (USP), especialista em Ciências da Religião (PUC-SP) e graduado em Filosofia (FFLCH-USP) e em Comunicação Social (ECA-USP). Autor do livro "A sacralidade digital: religiões e religiosidade na época das redes".(Fapesp/Annablume,2015)

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