Nas Cadeirinhas, muitas histórias para escutar

aberturas à alteridade e às narrativas de vida no jornalismo

Autores

DOI:

https://doi.org/10.5752/P.2237-9967.2026v15e36945

Palavras-chave:

escuta, narrativas de vida, subjetividade, jornalismo, Cadeirinhas

Resumo

Objetivamos discutir quais são as implicações éticas e epistemológicas das aberturas à escuta do outro realizadas no quadro Cadeirinhas, da TV Globo, no que diz respeito às narrativas de vida e à subjetividade como partes constituintes do jornalismo na atualidade. Mobilizamos duas edições do quadro no programa Fantástico, em 2024, e discutimos em dois eixos a partir de uma perspectiva discursiva respaldada em repertórios teórico-conceituais: (i) narrativas de vida como processos de ressignificação e exposição da intimidade; (ii) subjetividade e alteridade presentes no jornalismo ao dar visibilidade midiática a vidas anônimas. Concluímos que Cadeirinhas é um fazer jornalístico guiado pela subjetividade como marca discursiva na construção narrativa e de abertura à escuta do outro, capaz de produzir um conhecimento desestabilizador, configurando-se como uma pausa no meio do movimento caótico das capitais e da vida urbana.

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Biografia do Autor

Maurício João Vieira Filho, Universidade Federal de Juiz de Fora/Doutorando

Doutor em Comunicação pela Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF). Mestre em Comunicação Social pela Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG). Graduado em Comunicação Social - Jornalismo pela Universidade Federal de Viçosa (UFV). É integrante do grupo de pesquisa DIZ: Discursos e Estéticas da Diferença.

Mariana Ramalho Procópio, Universidade Federal de Viçosa

Sou professora na Universidade Federal de Viçosa (UFV), vinculada ao Departamento de Comunicação. Atuo no curso de graduação e Comunicação Social - Jornalismo, no Programa de Pós-Graduação em Comunicação e no Programa de Pós-Graduação em Letras. Atuei como docente no Programa de Pós-Graduação em Comunicação da Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF). Doutora em Estudos Linguísticos pelo Programa de Pós-Graduação em Estudos Linguísticos (PosLin) da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), com estágio doutoral realizado na Université Paris-Est Créteil, na França. Mestre também em Estudos Linguísticos pelo PosLin/UFMG e graduada em Comunicação Social - Jornalismo pela UFV. Realizei Pós-Doutorado em Mídia e Estudos de Gênero na Lancaster University, na Inglaterra. Sou co-líder do DIZ - Grupo de Pesquisa em Discursos e Estéticas da Diferença (https://diz.ufv.br/) e membro do NIEG - Núcleo Interdisciplinar de Estudos de Gênero da UFV. Representei a UFV no Conselho Municipal dos Direitos da Mulher (CMDM) de Viçosa-MG no ano de 2023.

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Publicado

23-03-2026

Como Citar

VIEIRA FILHO, Maurício João; PROCÓPIO, Mariana Ramalho. Nas Cadeirinhas, muitas histórias para escutar: aberturas à alteridade e às narrativas de vida no jornalismo. Dispositiva, Belo Horizonte, v. 15, p. e36945, 2026. DOI: 10.5752/P.2237-9967.2026v15e36945. Disponível em: https://periodicos.pucminas.br/dispositiva/article/view/36945. Acesso em: 31 mar. 2026.