Monoliteísmo: um conceito de Deus em 2001 Uma Odisseia no Espaço
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Resumo
O artigo articulará a temática do dossiê Religião e Cinema no gênero da ficção científica. Para isso, propõe-se uma reflexão acerca de um conceito de Deus em 2001 Uma Odisseia no Espaço a partir de uma declaração do diretor Stanley Kubrick. O trabalho mostrará, inicialmente, um fundo de reflexão comum tanto para a religião quanto para a ficção científica. Uma narrativa cuja realização se dá num evento maior distingue-se, no filme, da confessionalidade religiosa, encontrando, a despeito da tecnologia e da ciência, na própria ficção a emancipação da finitude e das determinações por meio de símbolos infinitos. O símbolo maior, manifestado como protagonista, é o Monolito: fonte de reflexão sobre um outro conceito de Deus distinto de tradições religiosas monoteístas. Como uma metáfora da jornada da humanidade, o neologismo monoliteísmo sugere a busca da compreensão de si mesmo por meio de significações últimas na expressão artística de Kubrick da circularidade, da linearidade e, sobretudo, do silêncio. Apesar de contar com uma análise crítica da linguagem cinematográfica, sobretudo a partir de Deleuze, o método de pesquisa é o hermenêutico e o referencial bibliográfico selecionado contempla obras de crítica tanto filosófica quanto cinematográfica.
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