Perseguição e repressão aos terreiros durante a ditadura civil-militar memórias, resistência e identidade afro-brasileira
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Resumo
O artigo tem como objetivo discutir de que modo a perseguição e a repressão aos terreiros durante a ditadura civil-militar são interpretadas pela literatura e por lideranças religiosas. O foco reside numa análise comparativa dos modos pelos quais se produziu uma representação de um suposto fortalecimento da Umbanda no período, no Rio de Janeiro e em São Paulo, o que contrasta com as memórias de religiosos de quatro estados do Nordeste (Alagoas, Pernambuco, Rio Grande do Norte e Sergipe), os quais relatam as estratégias policiais de perseguição aos terreiros. Concluímos que as estratégias utilizadas durante a ditadura civil-militar, fortemente influenciadas pelas práticas repressivas desenvolvidas durante o Estado Novo, são marcadas por uma ambivalência: a valorização da Umbanda está associada a um embranquecimento da tradição, que a distinguia de outras práticas religiosas marcadamente associadas às tradições africanas e indígenas. Esse fenômeno decorreu do viés ideológico da Doutrina de Segurança Nacional, a qual negava a existência de racismo e valorizava um certo tipo de nacionalismo.
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