A escrita residual em Noite e neblina, de Alain Resnais

Autores

DOI:

https://doi.org/10.5752/P.2237-9967.2026v15e36979

Palavras-chave:

escrita, resíduo, ruína

Resumo

Este trabalho se dedica à análise e à comparação de imagens de manuscritos no filme Noite e neblina (1956), de Alain Resnais. Nele, vemos registros com origens distintas: textos das vítimas do Holocausto, ao mesmo tempo que textos dos algozes. Duas materialidades que, na teoria do arquivo, compartilham semelhanças, como a oscilação entre instituidor e conservador, entre revolucionário e tradicional (Derrida, 2001); mas, na dessemelhança, guardam o que há de decisivo para cada uma, sendo o primeiro caso, não há dúvidas, um modo de insubmissão cuja sobrevivência é residual. Aqui, mobilizamos as reflexões de Georges Didi-Huberman, Jacques Derrida e Roland Barthes a respeito de arquivo, imagem e texto, discutindo o modo de aparição dos manuscritos.

Downloads

Não há dados estatísticos.

Biografia do Autor

Luís Matheus Brito Meneses, Universidade Federal de Minas Gerais

Luís Matheus Brito nasceu em Aracaju, em 1994. É escritora, editora e pesquisadora. Faz doutorado em Estudos Literários pela Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), onde pesquisa a obra do escritor argentino Ricardo Piglia. É jornalista e mestra em Estudos Literários pela Universidade Federal de Sergipe (UFS), onde defendeu uma dissertação sobre a ficção do escritor brasileiro Silviano Santiago.

Referências

BARTHES, Roland. Inéditos: vol. 1. Tradução de Ivone Castilho Benedetti. São Paulo: Martins Fontes, 2004.

BARTHES, Roland. A preparação do romance II: a obra como vontade. Tradução de Leyla Perrone-Moisés. São Paulo: Martins Fontes, 2005.

BATAILLE, Georges. Musée. In: BATAILLE, Georges. Oeuvres Complètes I. Paris: Gallimard, 1970.

BENJAMIN, Walter. Escavar e recordar. In: BENJAMIN, Walter. Rua de mão única. Tradução de Rubens Rodrigues Torres Filho e José Carlos Martins Barbosa. São Paulo: Brasiliense, 2012.

DERRIDA, Jacques. Mal de arquivo: uma impressão freudiana. Tradução de Claudia de Moraes Rego. Rio de Janeiro: Relume Dumará, 2001.

DIDI-HUBERMAN, Georges. Cascas. Tradução de André Telles. São Paulo: Editora 34, 2017.

DIDI-HUBERMAN, Georges. Diante da imagem. Tradução de Paulo Neves. São Paulo: Editora 34, 2013.

DIDI-HUBERMAN, Georges. Imagens apesar de tudo. Tradução de Vanessa Brito e João Pedro Cachopo. Lisboa: KKYM, 2012.

DIDI-HUBERMAN, Georges. Passados citados por Jean-Luc Godard. Tradução de Vera Casa Nova e Márcia Arbex. Belo Horizonte: Editora UFMG, 2023.

DIDI-HUBERMAN, Georges. Remontagens do tempo sofrido. Tradução de Vera Casa Nova e Márcia Arbex. Belo Horizonte: Editora UFMG, 2018.

DIDI-HUBERMAN, Georges. Sobrevivência dos vagalumes. Tradução de Vera Casa Nova e Márcia Arbex. Belo Horizonte: Editora UFMG, 2011.

NANCY, Jean-Luc. À escuta. Tradução de Fernanda Bernardo. Belo Horizonte: Chão da Feira, 2014.

RESNAIS, Alain (dir.). (1956), Noite e neblina [Nuit et brouillard]. França, Arte Video. 32 min., son., P&B/color.

Downloads

Publicado

19-02-2026

Como Citar

MENESES, Luís Matheus Brito. A escrita residual em Noite e neblina, de Alain Resnais. Dispositiva, Belo Horizonte, v. 15, p. e36979, 2026. DOI: 10.5752/P.2237-9967.2026v15e36979. Disponível em: https://periodicos.pucminas.br/dispositiva/article/view/36979. Acesso em: 18 mar. 2026.